1276337 18709782 Alessandro Paiva 300x200 Autoestima: jovens endividados se sentem mais no controle de suas vidasAo invés de se sentirem estressados por falta de dinheiro, muitos jovens adultos parecem se sentir mais no controle de suas vidas quando têm dívidas adquiridas para pagar o consumo de produtos e serviços ou sua própria educação.

A pesquisa, feita com jovens americanos com idade entre 18 e 27 anos e publicada no periódico Social Science Research, mostrou um aumento na autoestima desses indivíduos, especialmente naqueles com origem mais humilde. Na faixa de idade que ia de 28 anos até os 34, ao contrário, os níveis de estresse eram maiores.

“As dívidas são reflexo de atingir determinados objetivos na vida que, sem o dinheiro, eles não conseguiriam, à exemplo de uma melhor educação”, explica Rachel Dwyer, principal autor do estudo feito pela Universidade Estadual de Ohio. Mas é bom lembrar, diz a pesquisadora, que isso é preocupante.

“As dívidas são vistas como algo positivo para os jovens adultos, mas há perigos envolvidos. E esses indivíduos só vêem a parte positiva do cenário, que tem um potencial negativo muito grande”, completa.

O estudo envolveu a coleta de dados de mais de três mil jovens adultos que participaram de um estudo longitudinal – realizado durante um longo período de tempo e com entrevistas a cada dois anos – que se iniciou em 1979. Dois pontos principais eram observados: os débitos adquiridos na compra de produtos e serviços e aqueles relativos ao pagamento de créditos estudantis.

As hipóteses iniciais dos pesquisadores eram que os benefícios para autoestima ao se contrair uma dívida eram ligados ao fato desses indivíduos saberem que estavam investindo em seu futuro. Um segunda hipótese dizia que esses débitos apenas teriam efeitos negativos por causa do risco envolvido.

“Nós pensamos que apenas as dívidas com o estudo teriam um efeito positivo. Mas, surpreendentemente, todo tipo de dívida parecia aumentar a autoestima e o sentimento de controle”, diz Dwyer.

E é somente a partir dos 28 anos que esses indivíduos mostraram começar a se preocupar com o nível de suas dívidas. “Era nesse momento que eles percebiam que uma dívida não é algo fácil de quitar”, aponta a pesquisadora.

“Consumir descontroladamente e adquirir dívidas, no caso de jovens adultos, traz um sentimento positivo no curto prazo, mas os efeitos negativos não deixam de aparecer com o tempo. Agora estamos trabalhando para saber como eles fecharam essa equação e quais são os efeitos psicológicos na idade adulta desse comportamento”, finaliza.

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por Enio Rodrigo

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