Existem momentos em que nos sentimos com mais ou menos controle sobre o que acontece ao nosso redor, e isso é normal. Mas uma pesquisa da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA, mostra que essa sensação varia com mais frequência e mais rapidamente do que se pensava – e isso pode afetar as habilidades cognitivas.
Em um estudo realizado com idosos, Shevaun Neupert e seu coautor Jason Allaire, testaram o senso de controle de voluntários a cada 12 horas, durante 60 dias. Os participantes responderam questões sobre quando se sentiam no controle das suas vidas e quando foram capazes de atingir metas que estabeleceram para si. A função cognitiva, raciocínio e memória também foram medidas. Os participantes tinham idades variavam entre 61 e 87 anos.
O estudo, publicado no periódico Psychology and Aging, descobriu que a sensação de controle poderia variar significativamente no decurso de um único dia. “Isto é particularmente interessante, dado que a pesquisa anterior foi amplamente focada na presunção de que o senso de controle permanece relativamente estável”, aponta Neupert.
Os pesquisadores também descobriram que os participantes que relataram ter normalmente um baixo senso de controle apresentaram um desempenho muito melhor em testes de raciocínio indutivo durante os períodos em que eles relataram sentir um maior senso de controle.
Aqueles que relataram normalmente sentir-se mais no controle das situações, pontuaram mais em testes de memória quando se sentiam mais no controle do que o habitual.
Com base nestes modelos, os autores acreditam que a melhora do funcionamento cognitivo deriva da sensação de controlo melhorado, e não o contrário. “Isso não fazia parte do projeto experimental, por isso não podemos dizer com certeza”, diz Neupert. “Mas é um primeiro passo para determinar o que vem primeiro – senso de controle ou melhora da cognição”, conclui.
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por Marina Teles
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