A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a amamentação exclusiva até os seis meses de idade. Depois deste período, outros alimentos são apresentados ao bebê: primeiros os sucos e então, as papinhas. Mas um estudo traz evidências científicas de que oferecer os alimentos em forma de purê não é a opção mais saudável, pelo menos no que diz respeito aos futuros hábitos alimentares.

Na realidade, aponta o estudo da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, bebês que começam a se alimentar com alimentos sólidos têm menos chances de se tornarem obesos, em comparação às crianças que se alimentaram com as papinhas.

Publicada no periódico BMJ Open, a pesquisa envolveu 115 famílias que responderam a questionários informando as preferências alimentares de seus bebês e a forma como introduziram os primeiros alimentos em suas dietas. Do total, 92 pais alimentaram seus filhos com “finger foods”, legumes cortados como petiscos, de forma que os bebês tivessem contato com a comida, podendo escolher o que queriam comer.

Já 63 pais alimentaram os bebês da forma tradicional, iniciando com as papinhas e lentamente, conforme as crianças cresciam, passando a introduzir outras variedades de alimentos. As crianças tinham idades que variavam de 20 meses aos seis anos.

Os pesquisadores também levaram em consideração 151 diferentes tipos de alimentos nas categorias comuns de alimentos como carboidratos, proteínas, laticínios e etc. Também foi considerada a frequências do consumo de cada tipo de alimento e como a idade afetava a preferência por determinado alimento.

Os resultados mostraram que os bebês que receberam a papinha gostavam muito mais de alimentos doces do que as crianças do grupo das finger foods, que tinham preferência por carboidratos. Foi mais provável os pesquisadores encontrarem crianças obesas no primeiro grupo em comparação ao segundo.

Para os autores, quando as crianças têm contato com a comida e escolhem o que irão comer elas aprendem a regular a ingestão de alimentos, o que leva à uma preferência por alimentos saudáveis e, consequentemente, à um índice de massa corporal (IMC) menor. A conclusão é a de que estes resultados podem ter implicações importantes no combate à obesidade.

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por Marina Teles

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