Um estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Santa Bárbara Califórnia, nos EUA, colocou à prova um teste simples: como descobrir, ao olharmos a foto de uma mão, se a imagem se refere a da direita ou da esquerda sem verificarmos com a nossa própria mão?

Durante décadas pesquisadores acreditavam que, dado pelo tempo de resposta, para resolver este teste usávamos nossa imaginação motora, ou seja, primeiro visualizávamos mentalmente nossas próprias mãos para descobrir a resposta certa. Esse movimento imaginário estaria então envolvido nos mesmos processos cerebrais que utilizamos para comandar os músculos.

No entanto, parece que o cérebro é perito em decodificação de uma mão esquerda ou direita sem esta “ginástica mental”.

Neste estudo, divulgado no periódico Psychological Science, os participantes viram imagens de mãos inclinadas em diferentes ângulos, com um ponto colorido indicando se a palma estava para cima ou para baixo. Um grupo de participantes viram primeira a foto da mão e, em seguida, o ponto; e um outro viu primeiro o ponto e depois a foto. Ambos os grupos deveriam relacionar a foto e o ponto mentalmente e, então, indicar o lado da mão apertando um botão.

Já quando a forma e ponto eram apresentados simultaneamente, os participantes do primeiro grupo sentiram os movimentos de sua mão direita ao ver a mão esquerda e vice-versa, enquanto o outro grupo sempre sentiu o movimento na mão correta. “Esta diferença de comportamento (que os participantes adquiriram a partir do tempo de resposta) se deve às diferenças na percepção dos participantes sobre a mão vista. Então um processo sensorial anterior é o responsável pela tomada de decisão”, indicam os pesquisadores.

Para os autores, os resultados ajudam a entender a experiência de amputados que, às vezes, sentem coceira ou um incômodo no membro “fantasma”. “Por conta deste vínculo entre ver e sentir, mostrar a mão ou perna oposta em um espelho permitiria ao paciente amputado “sentir” o membro que falta e mentalmente aliviar o desconforto”, concluem.

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por Marina Teles

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