Pessoas ansiosas já foram chamadas de hipersensíveis – elas seriam mais propensas aos sentimentos de medo e se sentiriam mais ameaçadas do que pessoas menos ansiosas. Mas um estudo agora mostra que o que pode ocorrer é justamente o inverso, ou seja, pessoas ansiosas são mais distraídas quando a situação é potencialmente perigosa.
A pesquisa, feita por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, estudou como o medo é processado no cérebro de pessoas com transtornos ansiosos em comparação a um grupo controle sem esse transtorno.
Um total de 240 pessoas foram acompanhadas nos experimento da equipe de Bar-Haim, sendo 20% desses na faixa de ansiedade entre moderada e muito alta.
Ansiosos são “pegos de surpresa”
A partir de imagens do cérebro em funcionamento os pesquisadores, liderados por Yair Bar-Haim, chegaram à conclusão de que as pessoas ansiosas, ao verem imagens ameaçadoras, respondiam menos prontamente à informação do que o grupo controle.
Os resultados da pesquisa, publicada no periódico Biological Psychology, também não observaram maior sensibilidade do cérebro dos ansiosos à mudanças bruscas no ambiente.
A hipótese dos pesquisadores é de que pessoas ansiosas têm maior dificuldade em avaliar ameaças – algo que é necessário para processos de tomada de decisão e regulação do medo – e, portanto, não têm meio termo: ou não se sentem ameaçadas de maneira alguma ou então respondem excessivamente ao estímulo.
Para os autores, as pessoas ansiosas parecem repentinamente “surpresas” com algo que o grupo controle já havia se sensibilizado, analizado e avaliado as consequências. Lidar melhor com essa avaliação de situação, mantendo-se mais atento, pode portanto ser uma possível estratégia parar lidar melhor com situações que causem ansiedade nessas pessoas.
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por Enio Rodrigo
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