A síndrome do ninho vazio (SNV) se caracteriza pelo sentimento de luto que os pais – geralmente a mãe – sentem quando seus filhos saem de casa para ganhar o mundo. Não é uma doença, mas uma condição que, se não enfrentada, pode levar à depressão.

627216 95622750 Fran Priestley e1316021376134 300x227 Síndrome do ninho vazio é mais comum entre as mulheres, mas pode acometer os pais também“Só as mães são felizes”, disse Cazuza em sua canção de 1985, uma época em que já era comum as mulheres trabalharem fora – tão comum quanto abandonarem sua carreira assim que engravidassem, para cuidarem dos filhos. “A síndrome do ninho vazio geralmente acomete mulheres entre 50 e 70 anos de idade. Elas são mais afetadas por pertencerem a uma geração na qual as mulheres não desenvolveram uma vida profissional satisfatória”, explica a psicoterapeuta Ana Carolina Costa.

A pedido do Portal “O que eu tenho?”, Ana Carolina responde a algumas dúvidas sobre o assunto.

O que é a Síndrome do ninho vazio?

É uma síndrome que se manifesta pela presença de sentimentos de melancolia, tristeza e solidão, os quais atingem os adultos quando os filhos abandonam o núcleo familiar para seguirem os próprios projetos de vida.

A SNV é uma doença?

A doença, na verdade, é a ausência de vida. Muitas mães se doam a tal ponto, em um apego tão exagerado, que elas não sabem quem elas são mais. Com a saída do filho de casa, isso fica mais claro. Este fato pode gerar muita tristeza, uma sensação de carência extrema, de vazio absoluto, de perda de si mesmo.

Os pais também estão sujeitos a sofrer desta síndrome?

É mais comum entre mulheres, embora hoje em dia, com alguns pais exercendo também tarefas domésticas, eles podem ser afetados pela síndrome. É mais comum ocorrer com as mães, pois ainda são as principais cuidadoras diretas dos filhos, ou seja, passam mais tempo com eles e exercem mais funções cotidianas na vida dos filhos, embora esse cenário venha se modificando com a forte entrada da mulher no mercado de trabalho.

Como diferenciar a síndrome de uma depressão?

Na verdade, os sintomas são bem parecidos, por isso a dificuldade de um diagnóstico preciso. Mas o que irá auxiliar a diferenciação será o contexto desses sentimentos e o tempo de recuperação, que é semelhante a qualquer tipo de luto, ou seja, de seis meses a um ano. Por isso, cabe aqui dizer que a síndrome do ninho vazio pode se tornar uma depressão de fato, caso esses sentimentos se estendam por mais de um ano e o indivíduo não consiga retomar sua rotina. Mas é difícil estabelecer as relações entre depressão e SNV, pois elas se confundem, principalmente porque, normalmente, ocorrem num período delicado do ciclo vital, com inerentes dificuldades de adaptação: a menopausa e o início da velhice.

Neste sentido, quais os sintomas ou características da SNV?

A síndrome do ninho vazio é marcada por uma profunda tristeza, sentimento de vazio e até mesmo de inutilidade. E a síndrome, pelo estresse que causa, pode desencadear também alguns sintomas somáticos como alergia, dermatite, distúrbio intestinal, dificuldade respiratória ou febre sem motivo aparente, como também depressão.

Qual profissional deve ser consultado e como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito por um psicoterapeuta ou um psiquiatra pela presença e quantidade dos sintomas já citados e tempo ou duração que o paciente os sente.

Como é o tratamento?

Psicoterapia e, se necessário (se os sintomas estiverem atrapalhando muito a rotina do paciente), medicação associada à terapia (antidepressivos e/ou ansiolíticos).

É possível se recuperar totalmente?

Sim, mas para isso o paciente deve buscar ajuda especializada para reestruturar e ressignificar algumas crenças de sua vida e, principalmente, fazer rearranjos de papéis na vida. Algumas dicas são buscar realização pessoal no trabalho, na sociedade e na vida familiar; criar uma estrutura familiar na qual o filho, por mais que saia de casa, se sinta acolhido e encontre espaço sempre que quiser ou precisar voltar; e aproveitar a fase e idade atual e não ficar apenas pensando no que não tem mais (no caso, os filhos).

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por Marina Teles

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