Carnaval, um feriado prolongado ótimo para viajar. E diversos viajantes optam pelo chamado “mochilão”, viagens com uma pitada de aventura e incertezas, além de pouco conforto – compensado pela emoção e pelas novas amizades que se formam a partir dos laços dos viajantes, que optam por esse tipo de vivência. E que cuidados com a saúde os mochileiros devem estar atentos antes de se aventurar por destinos nacionais ou internacionais?

Marcelo Litvoc, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, respondeu a algumas dessas questões.

Os mochileiros – viajantes normalmente mais jovens, com menor planejamento de viagens e com destinos turísticos com menos luxos ou mais exóticos – devem tomar maiores cuidados também?

Sim. Muitos destinos procurados por mochileiros geralmente propiciam maior contato com a natureza e o ambiente selvagem, em muitas localidades e países onde existem doenças e riscos específicos, nem sempre com acesso e estrutura de atendimento médico disponível. As condições de hospedagem e alimentação também podem ser precárias.

Deve-se estudar e conhecer os riscos envolvidos, fazendo-se um planejamento da viagem e instituindo medidas preventivas como vacinas, medicações profiláticas e orientações antes da partida.

O viajante deve estar apto a reconhecer sinais e sintomas relacionados aos principais agravos esperados e tomar medidas cabíveis para cada situação. No retorno deve estar atento a complicações que podem surgir semanas ou meses após o final da viagem.

A medicina de viagem é uma subespecialidade da Infectologia que visa a diminuir os agravos decorrentes do deslocamento humano (lazer ou trabalho) por meio da avaliação pré-viagem e acompanhamento durante e após o retorno.

Os remédios levados na mala podem estragar? É preciso estar atento?

O ideal é sempre carregar as medicações na bagagem de mão e tomar bastante cuidado com temperaturas altas e umidade para a conservação dos medicamentos. Verifique sempre as datas de validade da medicação.

Antissépticos, ataduras e curativos também são importantes para esse perfil de viajante?

Sim, principalmente para aqueles que realizarão trilhas ecológicas, corridas de aventura e outras atividades.

Mesmo contratando seguros-saúde (em casos de viagens internacionais), ainda corre-se o risco de os viajantes adoecerem. Como agir nesses casos?

Contratar planos de seguro-saúde ou assistência médica não é uma proteção em relação ao risco de adoecer. A depender do tipo de assistência escolhida, pode-se usufruir de melhores recursos de atendimento, assistência médica e serviços de remoção em localidades onde o acesso ao serviço público não está garantido universalmente ou não possui qualidade reconhecida. Em outros países, o custo dos serviços particulares pode ser muito alto.

No caso de fitoterápicos (como o própolis, por exemplo), pode haver complicações na hora de visitar outro país?

Produtos sem receita médica podem ser confiscados nos serviços de fiscalização, principalmente se não forem industrializados.

Quais os possíveis riscos para aqueles viajantes que estão pensando em experimentar pela primeira vez os esportes de aventura e que são potencialmente arriscados?

Qualquer atividade de risco, incluindo esportes de aventura, deve sempre ser planejada e adequada ao condicionamento físico e supervisão técnica de profissionais capacitados.

Toda atividade deve ser feita de forma progressiva e sob orientação profissional certificada, como escaladas em locais com altitudes elevadas e extremos de temperatura, mergulho autônomo, corrida de aventura, salto de paraquedas e asa-delta.

Conhecer e respeitar os limites individuais é fundamental nestes casos, não se deve realizar atividades para as quais não se está preparado, mesmo que o grupo de viagem realize.

No caso de diarreia, que pode ser uma infecção ou uma intoxicação, o que se deve fazer? O que observar para saber se o quadro é grave? Quais as dicas básicas?

A diarreia é o agravo mais comum em uma viagem, denominando-se “diarreia do viajante”. As causas das diarreias são muitas: infecções virais, bacterianas, protozoários, até a mudança de tempero pode estar relacionada. Hidratação (água, chá, isotônicos, sucos) é fundamental, devendo-se repor as perdas.

A maioria dos quadros tem etiologia viral e, portanto, é autolimitada (sem necessidade de tratamento específico). Deve-se apenas cuidar da hidratação.

Nos casos de febre alta e persistente, diarreia com muco e sangue, prostração e desidratação moderada, deve-se procurar atendimento médico para avaliação criteriosa.

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por Enio Rodrigo

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